Comunicar ciência é uma prática que requer um grande conhecimento e experiência por parte de quem o faz. Além de ser transmitida informação relevante à população, consequentemente, as pessoas ficam aptas a tomar decisões, já devidamente informadas.
Além da necessidade de simplificar os termos técnicos, para que a informação chegue ao recetor de forma correta e clara, o comunicador tem, primeiramente, de perceber efetivamente aquilo que vai transmitir. Encontrar as melhores analogias e/ou metáforas, identificar os aspetos mais relevantes e atrativos e comunicar claramente é difícil e exige treino, estudo, reflexão, investimento e envolvimento na área. Ainda assim, é necessário ter em conta que nem sempre é possível simplificar, uma vez que isso poderá tornar a informação falsa. É exatamente na procura do equilíbrio e na ponte entre os dois lados que está a dificuldade da comunicação de ciência.
Dento da comunicação especializada em ciência, existe a comunicação em saúde. Neste tipo de comunicação devem ser usadas estratégias de comunicação específicas e adaptadas para informar e influenciar as decisões da população, sempre com o intuito de melhorar o seu conhecimento. No entanto, há que ter em consideração que o público não é todo igual e nem sempre está disponível para tal, sobretudo devido à urgência na obtenção de dados.
A comunicação em saúde tem como principais objetivos promover a literacia em saúde e educar as pessoas, alterar comportamentos, ajudar a lidar com ameaças para a saúde, prevenir doenças e incentivar o espírito crítico. Uma das principais contribuições que importa realçar da comunicação em saúde é a valorização de temas que antes não tinham importância. Esta comunicação pretende expressar os diferentes pontos de vista existentes na sociedade.
A comunicação é uma ferramenta imprescindível para evitar a propagação da desinformação e das fake news. Por exemplo, com a pandemia da COVID-19, foram várias as mensagens falsas que se disseminaram, sobretudo, nas redes sociais. Com a ajuda dos especialistas da comunicação em saúde, foi possível corrigir e alertar as pessoas para o que era errado e o que era certo.
O crescimento de informação sobre saúde verificado ao longo dos anos é notório, estando relacionado com uma maior disponibilidade dos profissionais de saúde e com um reforço das atividades de marketing e comunicação estratégicas promovidas pelos agentes da saúde.
Além dos especialistas em comunicação, e para que a educação das pessoas seja mais bem-sucedida, os cientistas também devem estar disponíveis para participar e colaborar com os meios de comunicação social. As dificuldades existentes entre investigadores e especialistas é algo que também dificulta a comunicação. Por um lado, os investigadores denunciam a falta de conhecimento por parte dos comunicadores, por outro lado, os comunicadores manifestam a falta de consideração que os cientistas têm em relação às perguntas que lhes são dirigidas.
O mais importante é que haja uma concordância entre os profissionais de comunicação e os investigadores, uma vez que o progresso da ciência depende da compreensão do público, algo que ambos os lados desejam.
A comunicação de ciência, mais concretamente a comunicação em saúde, tem um grande e poderoso impacto nas pessoas, nas políticas públicas e no debate social, económico e político, no entanto, para dar resposta aos interesses e necessidades do público de forma credível e de qualidade há ainda muitos desafios para ultrapassar, tanto no caso dos investigadores/ cientistas, como dos comunicadores/ especialistas.
Nunca é demais relembrar: pessoa informada, decisão conscienciosa.